sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

COM A PALAVRA -CENAS DO COTIDIANO XLIII -POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

CENAS DO COTIDIANO XLIII

            (... enfim, 2026)


    Chega 2026! E, com tristeza, percebo que não será um ano fácil. Esperançoso, talvez ingênuo, esperei vislumbrar um início de ano mais ameno. Mas, contra todas as expectativas, vem surgindo, a matar todas as expectativas do fim de 2025

     e, sem backup, "as fakes" dominam o cenário, sombrias e tenebrosas, a suscitar ódios; a alimentar a fome, famélica e insana, da ignorância; e a acabar com pseudo amizades, com reputações, com vidas. "A rede", o mais rápido e grandioso meio de informação, numa risível ironia, se prostitui, se vandaliza, se perde, por não conseguir lidar com a liberdade. Virou terra sem lei. Virou terra de ninguém. Virou o caos

     e caos, total e indecente, é a enxurrada de publicações, que, irresponsáveis e massacrantes, geram dúvidas e comoções, ao informar falsamente sobre as desaparecidas crianças em Bacabal, partidas de mentes desumanas, perversas, doentias 

     e, por falar em doentio, a hora, agora, é da onda política, que vem se agitando, tão assustadora quanto soberba, a prometer tsunamis de traições, desacordos, rasteiras, caras de paisagem, conchavos, absurdas e vãs promessas, desbragados sorrisos, indecorosos apertos de mão, infames abraços, sofismáticos sussurros, ao pé do ouvido, providenciais e desinfectantes banhos, de álcool 

     e, sem desinfecção alcoólica, já desorientados, nos tornamos reféns de uma onda hedionda de crimes, a (re)afirmar que caminhamos inseguros e tementes, errantes sem lenço nem documento, prisioneiros de nossas desconfianças e de nossos medos

     e, se é que pode piorar, pelo andar da desfaçatez, tudo continuará "irguá, ô piô, no quarté de abrantes" 

     e, só para validar acima,

 os crônicos problemas da Baixada se mantêm firmes. Estradas, a se recuperar, a passos de cágados, no meio de uma pororoca de insatisfação. A ausência de política de fomento e desenvolvimento sustentável e consistente, que a tire da situação deplorável, em que se encontra, é marca obrigatória em quase todos os municípios. "A mão do Estado" se estende e se prolonga, "com cara de permanente", em um assistencialismo, que se transforma em dívida sem fim, a gerar inoperância e a quase mendicância. A travessia Ponta da Madeira - Cujupe, ou vice-versa, continua a desafiar o bom senso. E, "sem arrodeio", a desafiar a paciência de tão pacato povo. E, até, a desafiar a vida

     e, sem arrodeio, mesmo, impressionantes imagens me impressionam, neste começo de ano. O mega churrasco "do alcaide", a justificar o que já sabemos. Pão, para quem se faz enganar, já que o voto, sem consciência, mata mais "qui pexêra di maluco". E, à minha Princesa, só resta sangrar, sangrar, sangrar, a se perder no descaso 

     e, "cumo côsa pôca é bobági", a roça de arroz e feijão não faz mais parte da rica cultura baixadeira. Nem pasto dos passarinhos. "A colheita", agora, é em outras fontes. Brota "papel moeda" de artifícios contábeis. E "a cannabis", do solo sagrado da Santa. Ó Helena, que loucura! E, por pura ironia, parecia um rio de verde. Tão viçosa, a provar que a terra é fértil. E muito. E, de verdade, é porreta, mesmo! "I tudinho, qui si pranta, dá! Inté u qui num deve!"

     e, com o comecinho de 2026, já frustrante, vou me recolher, a meditar o silêncio, que me abraça e me acalma. "Urubu levou a chave!"


       Inté maise!


          Zé Carlos Gonçalves

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