MORRI EM 1972, SEGUNDO A CERVEJA
Dizem, sem prontuário, sem laudo, sem carimbo de laboratório, que quem BEBE morre cedo. A vida encurta, o tempo afina, o relógio faz cara feia e corre mais depressa quando vê uma garrafa aberta. O COPO, esse traidor transparente, virou instrumento de homicídio em câmera lenta.
A novidade agora vem com régua, calculadora e ar professoral: virou notícia na TV e ganhou as redes sociais como verdade revelada — cada COPO DE CERVEJA custa duas horas de vida a menos. Não é metáfora. É conta. É matemática da abstinência.
Confesso que fiquei curioso. Não por medo da morte, mas por respeito à aritmética. Resolvi calcular. Somei copo a copo, gole a gole, espuma a espuma. Fiz a soma com a seriedade de um contador público e a sinceridade de um boêmio.
O resultado foi surpreendente e ligeiramente inconveniente: MORRI EM 1972.
No fim das contas, aprendi uma coisa: se a vida realmente é medida em COPOS, que ao menos seja em COPOS CHEIOS — de conversa, de riso, de afeto e, se possível, de uma cerveja bem gelada. Afinal, morrer cedo é uma possibilidade. Mas viver raso é uma escolha.
Paul Getty S Nascimento
poeta, compositor, cronista, membro da APL - Academia Pedreirense de Letras


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