sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

COM A PALAVRA - MORRI EM 1972, SEGUNDO A CERVEJA - POR PAUL GETTY


MORRI EM 1972, SEGUNDO A CERVEJA


Dizem, sem prontuário, sem laudo, sem carimbo de laboratório, que quem BEBE morre cedo. A vida encurta, o tempo afina, o relógio faz cara feia e corre mais depressa quando vê uma garrafa aberta. O COPO, esse traidor transparente, virou instrumento de homicídio em câmera lenta.


A novidade agora vem com régua, calculadora e ar professoral: virou notícia na TV e ganhou as redes sociais como verdade revelada — cada COPO DE CERVEJA custa duas horas de vida a menos. Não é metáfora. É conta. É matemática da abstinência.


Confesso que fiquei curioso. Não por medo da morte, mas por respeito à aritmética. Resolvi calcular. Somei copo a copo, gole a gole, espuma a espuma. Fiz a soma com a seriedade de um contador público e a sinceridade de um boêmio.

O resultado foi surpreendente e ligeiramente inconveniente: MORRI EM 1972.


No fim das contas, aprendi uma coisa: se a vida realmente é medida em COPOS, que ao menos seja em COPOS CHEIOS — de conversa, de riso, de afeto e, se possível, de uma cerveja bem gelada. Afinal, morrer cedo é uma possibilidade. Mas viver raso é uma escolha.

Paul Getty S Nascimento 

poeta, compositor, cronista, membro da APL - Academia Pedreirense de Letras

Nenhum comentário:

Postar um comentário