sábado, 14 de fevereiro de 2026

POESIA - A ÚLTIMA DOSE - POR MANUEL BAIÃO DE DOIS



 A última Dose


Longe vai a noite

Silenciam os motores

A madrugada é calma

Silenciam as ruas

Doces lembranças suas

Silencia minh’ alma


Ao fundo um casal

Trocando murmúrios

Talvez reatando a relação

Recordações infindas

Como punhais afiados

Ferindo meu coração


Em cada passo torto

Danço com a solidão

Brindo com a saudade

Embriagado encaro o espelho

Refletindo um rosto vermelho

E as marcas profundas da idade


Na mesa deixo histórias

Promessas vãs derramadas

Sonhos, devaneios, viagens

Que essa última dose, enfim

Possa transformar em mim

Um gole pleno de coragem


Por: Manuel Baião de Dois 

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