A última Dose
Longe vai a noite
Silenciam os motores
A madrugada é calma
Silenciam as ruas
Doces lembranças suas
Silencia minh’ alma
Ao fundo um casal
Trocando murmúrios
Talvez reatando a relação
Recordações infindas
Como punhais afiados
Ferindo meu coração
Em cada passo torto
Danço com a solidão
Brindo com a saudade
Embriagado encaro o espelho
Refletindo um rosto vermelho
E as marcas profundas da idade
Na mesa deixo histórias
Promessas vãs derramadas
Sonhos, devaneios, viagens
Que essa última dose, enfim
Possa transformar em mim
Um gole pleno de coragem
Por: Manuel Baião de Dois


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