o poeta (e o silêncio)
o mar cantado
é o mesmo das estrelas soterradas
brando mar furioso encanto
decadentes astros presos
nesse imperioso sol central
o poema sublimado na lama do mangue
convertendo em ouro o barro
assado no forno da alma
repleta de luz e lama
— luzilama —
o poeta na oficina interior
é semelhante ao caranguejo
na toca escura do mangue
sublimando carne e carapaça
— carnicarapaça —
e o silêncio
a folhagem
sempre verde do mangue
sustentada por aéreas raízes
lanceadas em cruz brotando emaranhadas da lama
e soprada pelo constante vento litoral
e a poesia
com seu aroma de mar e sal
afirma que a ilha, pela ilha, é sol
Cláudio Terças
Pequena Biografia
Cláudio Terças nasceu em Cruzeiro do Sul, no estado do Acre em 1967. Mudou-se para a cidade de São Luís no Maranhão com a idade de 5 anos onde fixou residência e desenvolveu seus estudos e vida artística. Foi integrante do Grupo Poeme-se e vencedor do VIII Festival de Poesia Falada da UFMA. Participou e co-organizou a exposição Depois do Verbo promovida pelo SESI.
Além de Antes Durante Depois é autor dos livros Correspondências de Guerra (1987), Uma Cidade Nas Nuvens (2021), Nada Sabemos Além do que nos Consome (2022), A Pedra que não Dorme se Assenta Sobre o Caos (2023), e À Escuta do Silêncio & Dez Poemas Aglutinados (2024), Antes Durante Depois (2025).


Nenhum comentário:
Postar um comentário