segunda-feira, 6 de abril de 2026

POESIA- HOMEM COMUM- FERREIRA GULLAR

 


HOMEM COMUM


Sou um homem comum

de carne e de memória

de osso e esquecimento.

Ando a pé, de ônibus, de táxi, de avião

e a vida sopra dentro de mim

pânica

feito a chama de um maçarico

e pode

subitamente

cessar.


Sou como você

feito de coisas lembradas

e esquecidas

rostos e

mãos, o guarda-sol vermelho ao meio-dia

em Pastos-Bons,

defuntas alegrias flores passarinhos

facho de tarde luminosa

nomes que já nem sei


Ferreira Gullar 

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