quinta-feira, 27 de novembro de 2025

COM A PALAVRA - CENAS DO COTIDIANO XXXIV ,- POR ZÉ CARLOS GONÇALVES

 

    CENAS DO COTIDIANO XXXIV

     A Ilha já se constitui no mais atual termômetro. Em dois, bem definidos, sentidos. Podem crer. Na insuportável temperatura, que nos cozinha os miolos; e na pressão política, que já antecipa as prévias para 2026. Sem meios termos nem firulas, já começaram as campanhas. E já dá para prever o que vem por aí. Por aqui. Por acolá. "É di arrupiá us cabêlo! É di levantá difunto!" 

     e, nessa vil perspectiva, sem alguma paixão, o cenário político vem nos revelando o detrito, que se tornou "o fazer política". Com muita tristeza, se perdeu o rumo. Vivemos o cúmulo do absurdo. Tudo é possível. Até um vil deputado, literalmente, falar que a sua colega de parlamento (também deputada) "não era nada até ontem. Era só uma professora". E, aí, não preciso dizer mais nada. Afinal, há muito o professor se deixou se desrespeitar. Inclusive, defendendo políticos desse naipe. E me desculpe o baralho, que não merece tão infame metáfora. Agora, fiquei até preocupado. De verdade, esse deputado não saberá o que falo. Com certeza, não foi à escola! Nunca se deparou com "a semânquica" nem viu espécime tão raro. Uma professora

      e, por falar em falar, venho falando, já há um bom tempo, o isolamento, que nos impõem. E ficar sem se revoltar é impossível. Não tem como ficar calado. O povo baixadeiro se torna o mais escandaloso descaso, nos últimos anos. E não é exagero, não. Haja sofrimento! E olha que a travessia Ponta da Espera - Cujupe, ou vice-versa, é uma mina de ouro. Não duvidem. Se colocar ferribôti, sem intervalo, estará sempre cheio. Basta tirar a venda. Como dizia vovó, "o que desengana olho é ver". Então, que se veja!

     e, vendo, nem bem havia acabado de reler o esplêndido texto de Humberto Pessoa, A TRAGÉDIA ANUNCIADA, e "o mesmo" sucateado ferribôti, de sempre, volta a apresentar "o mesmo" problema 

     e o pior. Vai se encarando tamanha tragédia como algo normal. E corriqueiro. E, se isso, realmente, foi notado, não se deu a devida importância. Nem alarmou. Só se fez ouvido de mercador e se direcionou o olhar para outras paragens. E o povo, como única saída, que se apegue com Dom Sebastião ou, definitivamente, se afunde. E "tudo segue como dantes no Quartel de Abrantes" 

    e, como só "vou curtir raiva, falano nisso" e "não me saí da cabeça" qual é a (des)função do professor nesta sociedade, tão perdida de si mesma, vou me recolher em busca de uma teoria, que enquadre "os politiqueiros", que "tomaram 'de' conta" de nossa tão amada pátria! Espero que consiga


     Inté maise!


          Zé Carlos Gonçalves

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