POEMA PARA A LUA
Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
A minha dor caminha mil caminhos.
Caminha por caminhos tortos, estradas sem fim.
Caminha por caminhos retos, estradas longas sem destino ou paradeiro.
A minha dor caminha a ermo, com desvelo, sem arrego.
A minha dor caminha por caminhos que não vejo.
Caminha entre sombras e desejos.
Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
Caminha no escuro, no silêncio, sob o sol escaldante ao meio dia.
A minha dor caminha em devaneio.
Caminha a meia noite fria, sem dó, soluço, sem sossego.
A minha dor caminha sob a luz da lua que te iluminou um dia.
A minha dor caminha cada dia mais vadia.
Caminha como a sombra que me segue em letargia.
Os caminhos que a minha dor caminha são fronteiras sem flancos.
São qual o amor a beira de um barranco, indeciso por saber ser ali o fim.
Os caminhos que a minha dor caminha são vias tortuosas, são chagas poderosas, são ritos de paixão, enfim...
A minha dor caminha a minha frente.
A minha dor não sente o quanto é algoz e o quanto enterneço.
A minha dor fadiga, é fada gloriosa, é fado imperioso.
É o ônus perigoso que pago para não ser para ti Procusto.
Então, se a minha dor não te comove, se tu não te condóis!?
A minha dor caminha rumo ao catafalco.
Só me resta destruir esses caminhos, fechar para sempre o pergaminho,
Com pábulo laurear tua desgraça e provar para mim mesmo que ainda posso ser feliz.
Abel Carvalho
Sigo
Sigo a minha vida passo a passo
Lembro o som de cada mágoa que chorei por ti
Somos seres estranhos
Querias um amor
Eu
Poeta
Ganhei uma musa
Ti dizes feliz e completa mesmo a minha ausência
Sou feliz porque voltei a ser triste
Inspiração que motiva a pena
Vagueio dentro de mim mesmo por mil noites
Ainda assim vejo as sombras do sol que já se pôs há horas
Me imagino
Então
Beijando tua face
Lente opaca de um sonho que não vem
As vezes
Em meio a crise
Ouço vozes
Sons da letargia
Da agonia incompleta
Background de um tempo sem fim
Hoje
Completo em insatisfação me dispo do teu sonho
Do coração arranco teu retrato
Da memória o Véu que não vingou
Cada poesia que faço é um grito mudo
Um aceno
O velo da paixão
Apenas saber que me amas já não me completa
Gritar que te amo nem é compaixão
Abel Carvalho
Estranho
Talvez seja estranho abrir mão de uma boa herança
Dizer não a um grande amor
Beber rotineiramente as segundas
Amar os filhos, mas não criá-los
Sonhar sem mesmo conseguir dormir
Apagar em um só pensamento
Viver por um único objetivo
Sair por sair desconhecendo limites
Fazer poemas que falam a verdade
Grunhir em noite de lua cheia
Morrer com a lua nova
Cantar e declamar poemas
Querer fazer amor dez da manhã
Não pisar na areia
Detestar o sol
Achar que o mar azul não é belo
Muito menos o verde ou o cinza
Fugir de ti
De mim
E da vida
Conseguir fazer tudo isso sozinho
Mesmo sem construir nenhum ninho
Talvez seja estranho ser gente
Homem comum
Diferente
Sem fé
Sem tridente
Sem paz
Sem Céu ou Olimpo
Sem dores
Sem choro
Sem dia sem fim
Talvez seja estranho não pedir perdão
Não querer doação
Não comungar benção
Não aceitar ovação
Não seguir o coração
Talvez seja estranho seguir a razão
Te dar razão
Ouvir uma única canção
Repelir a devoção
Negar a criação
E te dizer por toda a vida
Não
Abel Carvalho


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