terça-feira, 16 de dezembro de 2025

POESIA ,- POEMA PARA A LUA - POR ABEL CARVALHO


.

POEMA PARA A LUA


Por quantos caminhos a minha dor caminha?!

A minha dor caminha mil caminhos.

Caminha por caminhos tortos, estradas sem fim.

Caminha por caminhos retos, estradas longas sem destino ou paradeiro.

A minha dor caminha a ermo, com desvelo, sem arrego.

A minha dor caminha por caminhos que não vejo.

Caminha entre sombras e desejos.


Por quantos caminhos a minha dor caminha?!

Caminha no escuro, no silêncio, sob o sol escaldante ao meio dia.

A minha dor caminha em devaneio.

Caminha a meia noite fria, sem dó, soluço, sem sossego.

A minha dor caminha sob a luz da lua que te iluminou um dia.

A minha dor caminha cada dia mais vadia.

Caminha como a sombra que me segue em letargia.


Os caminhos que a minha dor caminha são fronteiras sem flancos.

São qual o amor a beira de um barranco, indeciso por saber ser ali o fim.

Os caminhos que a minha dor caminha são vias tortuosas, são chagas poderosas, são ritos de paixão, enfim...


A minha dor caminha a minha frente.

A minha dor não sente o quanto é algoz e o quanto enterneço.

A minha dor fadiga, é fada gloriosa, é fado imperioso.

É o ônus perigoso que pago para não ser para ti Procusto.


Então, se a minha dor não te comove, se tu não te condóis!?

A minha dor caminha rumo ao catafalco.

Só me resta destruir esses caminhos, fechar para sempre o pergaminho,

Com pábulo laurear tua desgraça e provar para mim mesmo que ainda posso ser feliz.


Abel Carvalho


Sigo


Sigo a minha vida passo a passo

Lembro o som de cada mágoa que chorei por ti


Somos seres estranhos

Querias um amor

Eu

Poeta

Ganhei uma musa


Ti dizes feliz e completa mesmo a minha ausência

Sou feliz porque voltei a ser triste 

Inspiração que motiva a pena


Vagueio dentro de mim mesmo por  mil noites

Ainda assim vejo as sombras do sol que já se pôs há horas


Me imagino

Então

Beijando tua face 

Lente opaca de um sonho que não vem


As vezes

Em meio a crise

Ouço vozes

Sons da letargia

Da agonia incompleta

Background de um tempo sem fim


Hoje

Completo em insatisfação me dispo do teu sonho 

Do coração arranco teu retrato

Da memória o Véu que não vingou


Cada poesia que faço é um grito mudo

Um aceno

O velo da paixão


Apenas saber que me amas já não me completa

Gritar que te amo nem é compaixão 


Abel Carvalho


Estranho


Talvez seja estranho abrir mão de uma boa herança

Dizer não a um grande amor

Beber rotineiramente as segundas

Amar os filhos, mas não criá-los

Sonhar sem mesmo conseguir dormir

Apagar em um só pensamento

Viver por um único objetivo

Sair por sair desconhecendo limites

Fazer poemas que falam a verdade

Grunhir em noite de lua cheia

Morrer com a lua nova

Cantar e declamar poemas

Querer fazer amor dez da manhã

Não pisar na areia

Detestar o sol

Achar que o mar azul não é belo

Muito menos o verde ou o cinza

Fugir de ti

De mim

E da vida

Conseguir fazer tudo isso sozinho

Mesmo sem construir nenhum ninho


Talvez seja estranho ser gente

Homem comum

Diferente

Sem fé

Sem tridente

Sem paz

Sem Céu ou Olimpo

Sem dores

Sem choro

Sem dia sem fim

Talvez seja estranho não pedir perdão

Não querer doação

Não comungar benção

Não aceitar ovação

Não seguir o coração


Talvez seja estranho seguir a razão

Te dar razão

Ouvir uma única canção

Repelir a devoção

Negar a criação

E te dizer por toda a vida

Não


Abel Carvalho

Nenhum comentário:

Postar um comentário