Meu querido amigo e poeta Zé Lopes,
Seu aniversário me leva de volta a um tempo em que a vida cabia numa bola e na alegria de estarmos juntos. Lembro das partidas no Campo do Rato, na Praça São José, e daqueles meninos que, entre brincadeiras e travessuras, construíam uma amizade para a vida inteira.
Depois vieram as rodas de violão na Praça da Bavepel. A noite parecia pequena para tanta música, e de lá saíamos para fazer serenatas, levando pelas ruas aquilo que transbordava do coração. Quantas histórias, quantas risadas, quantas travessuras compartilhamos! Há lembranças que basta tocar num acorde para voltarem inteiras.
Vieram também os festivais de música, as escolhas de samba-enredo e os saraus de poesia. Tivemos a felicidade de nos destacar, de compartilhar nossas músicas e jingles e de sentir a emoção de ver uma criação ganhar voz e encontrar seu lugar no mundo. Guardo esses momentos com a ternura de quem sabe que viveu algo precioso.
É sempre uma alegria reencontrar você! Nossas conversas logo viram boas gargalhadas e histórias divertidas, como se aqueles meninos ainda estivessem por perto, prontos para mais uma travessura. E meu livro já está autografado, com uma dedicatória carinhosa, no jeito de lhe entregar no próximo encontro — junto com um abraço e, certamente, mais algumas boas risadas!
Minha admiração por você tem raízes antigas: conheci o menino, compartilhei os sonhos do jovem e reconheço a grandeza do artista que você se tornou.
Você é um dos maiores cantores e compositores que Bacabal tem a felicidade de chamar de seu. Na sua voz e nas suas canções, nossa terra se reconhece, se emociona e vê sua alma transformada em música.
Sua contribuição à cultura de Bacabal, do Maranhão e do Brasil também se revela na força da sua poesia, nos livros e nas crônicas. Está nas festas populares, na preservação das nossas tradições e na memória afetiva de quem encontra nos seus versos um pouco da própria vida. Sua arte leva nossa terra consigo e ajuda a contar a história da nossa gente.
Como amigo e membro da Academia Bacabalense de Letras, digo com sincera convicção: seria um grande orgulho contar com você em nosso quadro de membros. Sua obra e sua trajetória honrariam esta casa, que também tem a missão de acolher as vozes que enriquecem nossa cultura.
Há ainda uma gratidão muito pessoal que quero lhe expressar: a confiança de me permitir cuidar de você nas vezes em que a saúde exigiu atenção. Poder ajudar um amigo tão antigo, unindo o afeto à medicina, é uma das alegrias mais bonitas da minha profissão. Cuidar desse seu bem precioso me gratifica profundamente. Conte comigo sempre que precisar; continuarei por perto, com o cuidado do médico e o carinho do amigo.
E, já que a amizade nos permite alguma irreverência, essas agulhadas diárias de insulina são um fardo que bem poderia ter ficado fora do nosso repertório! A vida poderia nos oferecer inspiração sem precisar furar tanto a gente. Mas seguimos, entre cuidados, versos e alguma teimosia, transformando até os incômodos em assunto para poesia. Só não vale dizer que a agulha é a nossa musa: seria dar a ela um prestígio que definitivamente não merece!
Que Deus lhe conceda saúde, serenidade e muitos anos de criação. Que ainda possamos nos reunir com um violão, rir das antigas travessuras e descobrir que algumas canções continuam esperando por nós.
Feliz aniversário, Zé Lopes! Entre o menino que corria atrás da bola e o poeta que hoje celebramos, permanece o amigo que tenho a felicidade de abraçar.
Com carinho, admiração e um forte abraço,
Otávio Pinho.



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