Poema em primeira pessoa
Estou vivo, ainda.
Tantos já se foram, eu não.
Quantos desafios ainda terei se não morrer?
Perdi pai, irmãos
Perdi mãe,
Reencontrei amigos,
Muitos também se foram.
Eu sigo, estou vivo.
Até quando?
Quantos não estão mais aqui...
Quantos dias terei que caminhar...
Estou vivo ainda...
Não sei por quantos dias,
Por quanto tempo caminharei sem destino
Quanto tempo a vida me vagueará...
Quando nós nos conhecemos?
Porque sofremos?
Quantos dias teremos?
A vida é assim...
Quantos dias foram reais...
Às vezes se mira o impossível
A vida é apenas um conjunto de sonhos e quimeras
Nunca
Nunca será a esperada era
O longo caminho que Deus vocifera
A quilha
O limo
A nódoa infante
A dor que nunca se espera
Não se pode ter sempre o que se quer
E se você não está aqui
Os dias são mais difíceis
Eu, coadjuvante na batalha,
Pereço como tantos que se foram,
Sem contar os dias vacilo em perene devaneio
Ano após ano
Me perco em um passado sem futuro,
Em dias,
Em noites,
Pensamentos obscuros...
Vagueio entre os medos
Que eu mesmo construí
Se escapar, então,
Sei que vou consegui distingui
O Céu do Inferno
Heróis de fantasmas
A vida do fim...
Abel Carvalho


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