Bom diaaaaaaaa
Café com panqueca quente é Deus alimentando a gente.
Tem coisa que não se explica, só se sente, ponto. Caminhar descalço, pela manhã, na Litorânea é uma delas.
É tirar o tênis e deixar o pé atritar na areia molhada. No começo a areia gruda, depois ela massageia. Cada passinho parece descarregar um peso que a gente nem sabia que estava carregando.
O vento vem de frente, forte, salgado, bagunça o os pensamentos, mas limpa as ideias. Traz aquele cheiro de maresia que não tem Boticário que copie.
E o mar... o mar salgado da Litorânea tem um verde que muda. Verde-claro perto da areia, verde-escuro mais longe, quase azul quando o sol bate forte. E o barulho. O marulho que não para. Vai e vem, vai e vem, "é nesse vai e vem que a gente se dá bem" como se dissesse: calma, tem tempo.
O sol não queima, ele doura. Vai aquecendo devagar o ombro, as costas, a pele, o rosto. A gente sente que está vivo, vivo, muito vivo, graças a Deus.
Caminhar ali descalço não é exercício, é uma benção, é como dançar tambor, é conversar com os anjos e orixás. É voltar a ser simples. É pé na areia, vento na cara e o mar sempre lembrando a gente do nosso tamanho - pequeno, mas parte de tudo isso, somos um só, um sol, minúsculo e precisamos ter essa consciência.
Saúde, sabedoria e equilíbrio para todos nós.
Jorge Passinho


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