O corpo
Visto lembranças com a dura capa da saudade.
Encarno em mim mesmo o tempo véu de sofrimentos.
O corpo treme de desejos sem esperanças.
Rompo o lacre do passado, vejo a tênue imagem do teu corpo e ouço o sibilar dos teus pedidos, mistura de prazer e dor sem sentido, escárnio do desejo incontido do coito interrompido e sem final, sem fim...
Ainda sinto o cheiro do gozo que não veio e que eu queria
Tanto queria, mas nunca cheguei a ter e nem chegarei
Apenas sonho de olhos abertos, vez que não durmo
Como se tudo hoje fosse; o suor, teus olhos cerrados,
Teu choro ensandecendo meu coração vorazmente,
Tuas pupilas mortas e quebrantadas,
Meu corpo inerte a de dar repouso em um tempo e final que nunca foi meu.
Abel Carvalho


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