CENAS DO COTIDIANO LXVI
Há muito e muito tempo, "na minha cachola não entra" a tentativa de nos fazer acreditar que não somos capazes de decidir, e saber, em quem votarmos. E essa verdade se cristaliza, ao observarmos a dinâmica das campanhas, principalmente quando há segundo turno. E "fico de boca aberta, seim isperá a mosca intrá", ao constatar "as vis negociatas" de transferência de votos. "Uma lógica ilógica!" Uma prática imoral, chancelada pelo eleitor, despreparado e sem posicionamento responsável; o que, "no meu tempo de minino", era chamado de "maria vai cum ais ôtra"
e, "ir cum ais ôtra", perpetuou, por um bom tempo, "o voto de cabresto, sustentado pelo voto carretilha, atestado e garantido por coronelões", que se viam como verdadeiros semideuses. Donos das vontades e das vidas de quem sempre foi explorado ao limite do (in)suportável
e, insuportável, mesmo, é ter que aceitar a necessidade de se fazer uma bilionária campanha! "Ixprico". Se o voto já está assegurado, não será mais fácil chamar só "os proprietários, dos mesmo, para decidir?!" E evitar tamanho desgaste, tanto "licute", tanta intriga ... e, ainda, sair um voto bem baratinho
e, triste, tristíssima, essa pretensão. E "no meu célebro num entra o papo" de que o eleitor, que votou em "um canidato" no primeiro turno, vai obrigatoriamente seguir e obedecer à orientação "de um perdedor", como se fosse um teleguiado. Como se dizia nos bons tempos "tale e quale um cachorrinho!"
e, o pior, nesta era de tanta e tanta informação, ser igualado a um mentecapto. Tratado como incapaz de pensar, de enxergar a realidade, de se decidir, de se comportar como um bobo da corte, de ser considerado "um descerebrado", sem vontade, sem consciência. "Um mero robozinho". E, não um robô moderno; pois, até, o robô moderno já vem se rebelando "e botano suas unhinhas de fora. Jogano terra nos nossos óios"
e, "com terra nos olhinhos", a eleição vai se perdendo no esquecimento das sérias e reais e consistentes propostas; e passa a se sustentar apenas na quebra, ou não, de sigilo bancário, telefônico, familiar, de vergonha, de falcatruas; quando o que interessa é esquecido
e, sem interesse algum, passa a ser uma guerra de absurdas declaraçõe, de fotos, de vídeos, de IA, de "feiques", de insano fanatismo, de vil e duvidoso comportamento ... De verdade, "chegô a hora de vaca num conhecê bizerro"
e, sem vaca e sem bezerro, eu fico incrédulo com tanta falta de auto-estima; e de tamanha submissão de quem se diz inteligente
e, sem submissão e "pôca intiligença", saio de cena e "vô cunversá cum meos butõis, qui mi intendeim mió. Ansim, ganho maise!" E, como gosto desta última palavra, vou repeti-la
Inté maise!
Zé Carlos Gonçalves


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