sexta-feira, 30 de outubro de 2026

POESIA - NEURASTENIA - FLORBELA ESPANCA


 Neurastenia

Sinto hoje a alma cheia de tristeza!

Um sino dobra em mim Ave-Marias!

Lá fora, a chuva, brancas mãos esguias,

Faz na vidraça rendas de Veneza...


O vento desgrenhado, chora e reza

Por alma dos que estão nas agonias!

E flocos de neve, aves brancas, frias,

Batem as asas pela Natureza...


Chuva... tenho tristeza! Mas por quê?!

Vento... tenho saudades! Mas de quê?!

Ó neve que destino triste o nosso!


Ó chuva! Ó vento! Ó neve! Que tortura!

Gritem ao mundo inteiro esta amargura,

Digam isto que sinto que eu não posso!!...

Florbela Espanca 


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