domingo, 29 de março de 2026

COLUNA DO DR.ERIVELTON LAGO -;DEZ FORMAS DE PREVENIR O ASSASSINATO DO ADVOGADO CRIMINALISTA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO

 DEZ FORMAS DE PREVENIR O ASSASSINATO DO ADVOGADO CRIMINALISTA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO


A advocacia criminal é uma das atividades mais nobres do sistema de justiça, mas também uma das mais arriscadas. O advogado criminalista atua em conflitos humanos intensos, lidando com pessoas acusadas de crimes graves, com vítimas, familiares, disputas de poder e, por vezes, com organizações criminosas. Nesse cenário, a preservação da própria vida passa a ser também um dever de prudência profissional.

A seguir, apresentam-se dez condutas preventivas que podem reduzir significativamente os riscos enfrentados pelo advogado criminalista.

1. Cultivar uma reputação moral sólida

A reputação é o primeiro escudo do advogado. Profissionais reconhecidos pela integridade, seriedade e coerência tendem a ser respeitados até mesmo por pessoas envolvidas no crime. A reputação ética constrói limites invisíveis que desencorajam atitudes violentas. (Aristóteles, 2013). Uma boa reputação moral é o paredão que protege o advogado e sua profissão. A autoridade verdadeira não vem da força, mas da reputação moral construída ao longo da vida (Cícero, 2019).

2. Não prometer resultados que não dependem do advogado

Prometer absolvição, liberdade ou resultados garantidos é uma prática perigosa. O advogado deve sempre esclarecer que sua função é defender tecnicamente, e não garantir decisões judiciais. Expectativas irreais podem gerar frustração e conflitos. Não prometa liberdade absoluta, não prometa absolvição, você é advogado, você não é juiz. 

3. Praticar absoluta transparência com o cliente

O cliente precisa compreender com clareza sua situação jurídica, os riscos do processo e as limitações da defesa. A transparência reduz mal-entendidos e evita que o advogado seja responsabilizado por consequências naturais do processo penal. Fale a verdade desde o primeiro encontro com o cliente. Não tente agradá-lo apenas para pegar a causa, você vai se arrepender. 

4. Não subestimar a inteligência do cliente

O advogado criminalista lida frequentemente com pessoas experientes em ambientes de conflito e violência. Tentar enganar, manipular ou ocultar informações relevantes pode gerar reações perigosas. A relação deve ser baseada em respeito e clareza. O seu cliente é também um homo sapien, ele pensa como você. 

5. Manter independência profissional

O advogado não deve permitir que o cliente conduza a estratégia jurídica. A defesa pertence ao advogado, dentro da legalidade. Quando o profissional perde a autonomia, passa a se expor a decisões e riscos que não controla. Ouça o seu cliente, aproveite as suas ideias, mas se mantenha no leme. 

6. Evitar envolvimento pessoal com a vida do cliente

A relação deve ser estritamente profissional. Misturar amizade íntima, negócios paralelos ou vínculos pessoais com clientes envolvidos em criminalidade pode levar o advogado a conflitos que extrapolam a esfera jurídica. Nenhuma amizade íntima com o cliente protege o advogado se a causa não tiver sucesso. 

7. Recusar causas que envolvam risco desproporcional

A advocacia criminal não obriga ninguém a assumir qualquer caso. Quando o contexto revela risco grave à integridade do profissional ou de sua família, a recusa da causa é uma atitude legítima e prudente. Recuse a causa perigosa, mas você não precisa dizer o motivo da recusa. 

8. Manter discrição sobre estratégias e informações sensíveis

O advogado deve evitar comentários sobre processos, clientes ou estratégias fora do ambiente profissional. A exposição desnecessária pode gerar conflitos com terceiros envolvidos nos fatos. Evite tirar proveito social da causa, expor o cliente é expor a sua própria vida. 

9. Avaliar o contexto social do caso

Antes de assumir uma causa, é importante compreender o ambiente em que o fato ocorreu: disputas familiares, rivalidades locais, conflitos entre grupos ou organizações criminosas. O advogado precisa conhecer o terreno onde está pisando. 

10. Priorizar sempre a própria conduta

O advogado não controla as ações do cliente, mas controla a própria postura. Ética, prudência, equilíbrio e profissionalismo são os maiores instrumentos de autoproteção. Muitas vezes, a segurança do advogado começa pela maneira como ele se comporta diante das pessoas.

Conclusão

O advogado criminalista atua na fronteira mais delicada da justiça: o confronto entre liberdade e punição. Essa posição exige coragem, mas também prudência.

A melhor forma de proteção do advogado não está apenas em medidas de segurança física, mas sobretudo na construção de uma conduta profissional firme e ética. 


REFERÊNCIAS


ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 3. ed. Bauru: Edipa, 2013.


CÍCERO, Marco Tulio. Dos Deveres (De Officiis). Tradução João Mendes Neto. São Paulo: Edipro, 2019.


Erivelton Lago, Advogado Criminalista. Presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB/MA

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