sexta-feira, 20 de março de 2026

COLUNA DO ZÉ LOPES -A DOR E EU SEGUNDO O TEMPO

Presentemente posso

me considerar um sujeito de sorte

porque apesar de muito moço 

me sinto sao, salvo e forte

e tenho comigo pensado

Deus é brasileiro

 E anda do meu lado

e assim ja nao posso sofrer

no ano passado"

Belchior 

Hoje eu quero lhe falar das coisas que aprendi nos discos, lhe contar como tenho vivido e tudo que tem acontecido comigo.. Estou mais vivo do que tenho vivido, essa é  a verdade. Há anos, a minha vida é pautada pela dor, em macas, leitos de hospitais, enfermarias, UTIs, entre medicos, enfermeiras, técnicos, residentes,  cuidadoras e acompanhantes. Acessos, soros, insulina ,antibióticos, analgésicos hexoparina. agulha, seringa, coleta de sangue ;transfusão, anestesia, bisturis, gazes, ataduras, esparadrapo, pomadas. Geis, glicosimetro, oximetro, estetoscópio hesignomenometro. Inebulisador,  Minhas veias sumiram, meus braços mais parecem a "Tauba de tiro ao Álvaro do Adoniran Barbosa: - não tem mais onde furar. Barriga, músculo, femural, jugular. vasos.arterias

Respeitando as devidas   venias, isso nao quer dizer que desacredito das coisas do ceu, mas, quando o Chico Buarque cantou " Oh metade de mim, oh pedaço arrancado de mim" me colocou inteiro em sua composição, e atingido pela circunstância, procurei ajuda na força maior, os mais graduados para pedir socorro; Deus, Jesus e a Virgem Maria, recorri às Padroeiras da minha cidade, Santa Teresinha e Nossa Senhora da Conceição e até à Santa filha da terra, a milagreira Edite. Por compor, cantar e louvar os santos juninos, Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal, depositei toda confiança na minha cura, mas o problema não foi resolvido a contento. A minha fé foi muito grande, acho que pequeno foi o meu grito, que não chegou aos ouvidos dos milagrosos.

Continuo acreditando nas forças celestiais e passando ,ainda, por perrengues, em leitos de hospitais.Aprendi com a canção do Cazuza que "Eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo". Não culpo ninguém pelo que tenho passado,l E quanto mal tenho causado a mim, mesmo sem querer, mesmo buscando o certo. Por isso peço aos amigos, o que Nelson Cavaquinho pediu: "se alguém quiser fazer por mim, que faça agora ", até porque posso não ter tempo de pegar o violão e cantar a canção do Belchior: " Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.


Zé Lopes 

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