ZICO
(O Galinho que Fez do Futebol Poesia)
Há jogadores que passam pelo futebol como bons profissionais. Há outros que deixam marcas profundas, gols memoráveis, títulos e estatísticas. Mas existem raros momentos da história em que surge alguém capaz de transformar o jogo em arte. ZICO foi um desses.
Não era apenas um craque de gols antológicos ou de passes milimétricos. Havia nele algo que escapava às planilhas e aos números. Quando a bola encontrava seus pés, parecia obedecer a uma espécie de partitura invisível. Cada falta cobrada lembrava um verso bem medido, escrito com a delicadeza de quem domina o tempo e o espaço do campo.
No gramado, ZICO parecia entender o futebol como um poeta entende a palavra: com precisão, sensibilidade e beleza. Seus movimentos tinham a elegância de quem sabia que o jogo também pode ser espetáculo. E assim, sem alarde, transformava estádios em teatros e partidas em pequenas obras de arte.
Celebrar sua trajetória em um documentário não é apenas revisitar gols e jogadas. É reconhecer que certos jogadores não pertencem somente a um clube, nem apenas a uma geração. Eles pertencem à memória afetiva do futebol — aquele lugar invisível onde moram as lembranças que o tempo não apaga.
ZICO é um desses astros raros. Um daqueles que fizeram do gramado um palco e da bola um instrumento de magia.
E talvez seja por isso que, quando as novas gerações o descobrem, entendem rapidamente aquilo que os antigos já sabiam: o Galinho de Quintino não foi apenas um jogador extraordinário. Foi um capítulo luminoso da história do futebol brasileiro — daqueles que continuam brilhando mesmo depois que o apito final já soou há muito tempo.
Paul Getty S Nascimento
poeta, compositor, cronista e membro da APL - Academia Pedreirense de Letras


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