CENAS DO COTIDIANO LI
(... a insana evasão escolar)
E, com a chuva a encharcar a Ilha, as aberrações vão se amontoando, a não mais nos surpreender. A violência se imiscui em todos os cantos. Os casos de feminicídios disparam e se auto impõem, como nunca. Também, os pedófilos se revelam, cada vez, com mais desfaçatez, sem temor algum
e, sem ter muito o que fazer, só nos resta nos trancar e agradecer, a cada dia, por ainda termos escapado
e, com tanto temor e tantos escândalos, a insatisfação só aumenta. E a, que me chama muito a atenção, diz respeito à minha profissão, que há muito vem sendo desprestigiada. Mas não pode ser diferente. Vejam só que absurdo! "O sistema da (des)educação" se supera e se diz preocupado com a redução no número de matrículas. O que não é novidade alguma, para quem vivencia o dia a dia da comunidade escolar, que há muito precisa ser mudada
e, com tanta preocupação, para maior revolta, não é que as autoridades autorizadas, ao falar sobre, em alto e bom tom, soltaram esta. "A reprovação é maléfica ao sistema. Causa muito prejuízo". O prejuízo, meu santinho Santo Inácio de Loiola, é econômico. A preocupação não passa do orçamento e da repercussão internacional, ante a realidade escolar, que se encontra na UTI, quase a parar de respirar. E, aí, se vai pelo caminho mais fácil. "Se abre a porteira", como fatidicamente disse um ex, despreocupado com o bem andar de seu ministério. E a juventude que se exploda na ignorância
e, aí, eu me acho no direito de opinar, também, ante a nossa cruel realidade. O jovem não precisa de "passada de mão na cabeça". O jovem precisa ter responsabilidade. Precisa respeitar normas. Precisa saber que tem direitos, mas precisa cumprir deveres. A verdade cristalina é que o jovem precisa estudar! E estudar! Não há outra saída! Afinal, só iremos crescer, como nação, com conhecimentos. Precisamos de cabeças pensantes e de líderes sapientes
e, com aberrante solução, é que "não se conserta o sistema educacional". E verdade seja dita. Se não for enfrentada com responsabilidade e competência a série de desafios, que compromete a Escola, não sairemos da situação caótica, que assola a nossa juventude
e, se for apenas maquiar e jogar para debaixo do tapete, aí, é muito simples sepultar "o pobema". É só acabar com a reprovação. É só acabar com a avaliação. É só institucionalizar "o avanço", sem mérito e sem medida
... e, aí, não se vive mais com "o faz de conta". Não se adoece o mestre, que só se desgasta. De verdade, não é preciso mais o professor fazer que avalia; e o aluno fazer que é avaliado. Aí, basta só se cumprir a carga horária, recheada ainda mais de intinerarários, e se conviver com a salas jogadas às ausências
e, assim, não caberá mais outros comentários, num país, que vive uma regressão cultural violenta e irreversível, a se esconder, cada vez mais, no fundo do túnel
e, como é impossível ficar calado, ainda piora. A recente imagem do telejornal não poderia ser melhor. Alunos de um colégio militar punidos, como se fossem das hostes militares. O crime capital, segundo os comentaristas. "Não puderam comprar o casaco, imposto pela instituição". A grita é geral, e os jovens, perdidos sem saber o que fazer
e nós, "os prôfis", também, seguimos perdidos em nossas frustrações!
e ...
Inté maise!
Zé Carlos Gonçalves


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