sexta-feira, 6 de março de 2026

POESIA - DUALISMO - JOSÉ CHAGAS

 

DUALISMO

José Chagas


Eu, que nunca termino o que começo,

vou, sem ter começado, ver meu fim,

e já me preparei para o regresso

de uma viagem que não fiz em mim.


Vivo um contraste humanamente expresso,

pois me fiz dois: um bom e outro ruim.

Sendo irmão de mim mesmo, a mim confesso

que, se nasci Abel, cresci Caim.


De antigas eras trago esse conflito,

e ora amaldiçoado, ora bendito,

não encontro equilíbrio em meu redor.


Mas, se não tendo início é que me acabo,

lanço tudo o que sou a Deus e ao Diabo,

e eles que façam como achar melhor.


José Chagas

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