Eu, 58.
Ninguém cantou seu Eu tão bem quanto Augusto
Dos Anjos:
“Ah! Dentro de toda a alma existe a prova
De que a dor como um dartro se renova,
Quando o prazer barbaramente a ataca...”
Vandré chorou para não ter na chegada que morrer
Ou de amor matar...
Djvan sentiu a dor do amor ausente.
Zé contou que eu canto os meus ais.
Rogério crê que eu faço poemas autobiográficos,
Que as dores que eu canto são minhas...
As dores que eu canto nascem em alheias entranhas,
Mas vivem como minhas.
Na verdade sou vetor de sofrimentos, cinco ou seis,
E Isso me encanta, eu sei.
Se fosse produtor da minha própria biografia,
Eu afirmaria: nasci dez anos depois do que eu queria
E já vivi trinta anos há mais do que eu sonhei...
Abel Carvalho


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