terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

POESIA - EU 58 - POR ABEL CARVALHO


Eu, 58.


Ninguém cantou seu Eu tão bem quanto Augusto

Dos Anjos: 

“Ah! Dentro de toda a alma existe a prova 

De que a dor como um dartro se renova, 

Quando o prazer barbaramente a ataca...”


Vandré chorou para não ter na chegada que morrer

Ou de amor matar...

Djvan sentiu a dor do amor ausente.

Zé contou que eu canto os meus ais.

Rogério crê que eu faço poemas autobiográficos,

Que as dores que eu canto são minhas...


As dores que eu canto nascem em alheias entranhas,

Mas vivem como minhas.

Na verdade sou vetor de sofrimentos, cinco ou seis,

E Isso me encanta, eu sei.

Se fosse produtor da minha própria biografia,

Eu afirmaria: nasci dez anos depois do que eu queria

E já vivi trinta anos há mais do que eu sonhei...


Abel Carvalho


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