“A SECRETARIA DE CULTURA QUE EXISTE (Segundo Boatos)”
Dizem que toda cidade tem suas belezas. Umas têm praias e rios e outras têm história, e algumas — mais modernas — têm até SECRETARIA DE CULTURA. Pelo menos no papel.
Na prática, a coisa é mais conceitual. A SECRETARIA existe como obra de arte contemporânea: invisível, subjetiva e aberta à interpretação. Funciona assim — você não vê, não sente, não percebe… mas garantem que está lá.
O ARTISTA, coitado, esse é mais tangível. Está na rua, no palco improvisado, no violão gasto, no pincel que insiste em sobreviver. Ele cria, resiste e, de vez em quando, pergunta — com uma ingenuidade quase poética — se existe apoio. É um erro comum. Apoio, nesse contexto, é uma palavra decorativa, tipo moldura sem quadro.
Enquanto isso, a gestão municipal segue firme, promovendo a cultura… do silêncio. Um silêncio tão bem organizado que nem faz barulho quando ignora.
E o SECRETÁRIO? Ah, o secretário é quase uma lenda urbana. Uns dizem que ele existe. Outros juram que já ouviram falar. Há quem diga que aparece em eventos — desde que sejam eventos onde não há artistas precisando de apoio. No fim das contas, a cidade, sobretudo as do interior aprende uma lição valiosa: cultura mesmo é a capacidade de sobreviver sem a secretaria de cultura.
Como diz meu confrade Joaquim Filho de Pedreiras: "Se o artista na sua cidade de origem, não tem apoio e nem pode contar com a gestão municipal, então, para que serve mesmo secretaria de cultura e secretário?"
Paul Getty S Nascimento
poeta, compositor, cronista, chargista e membro da APL - Academia Pedreirense de Letras


Nenhum comentário:
Postar um comentário