segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

POESIA - PARA NAO TEMER NOITES DESERTAS - CLÁUDIO TERÇAS

 

para não temer noites desertas


das coisas que disse e não sei

só o mar que invento é verdadeiro

nem o barco que navego é existente


nas falésias, em que esse poema quebra,

só o mar que invento é de verdade:

resiste há muito tempo antes de nós,

resistirá muito tempo após mim


esse mar, que me invento e me afogo,

me arrasta pelo verso que não me nego


para não temer as faces desertas

basta um poema que à noite apronte

configurando em tormentas o mar que invento


de possíveis sonhos e demandas

de possíveis tramas alvejadas


Cláudio Terças



Pequena Biografia 

Cláudio Terças nasceu em Cruzeiro do Sul, no estado do Acre em 1967. Mudou-se para a cidade de São Luís no Maranhão com a idade de 5 anos onde fixou residência e desenvolveu seus estudos e vida artística. Foi integrante do Grupo Poeme-se e vencedor do VIII Festival de Poesia Falada da UFMA. Participou e co-organizou a exposição Depois do Verbo promovida pelo SESI.

Além de Antes Durante Depois é autor dos livros Correspondências de Guerra (1987), Uma Cidade Nas Nuvens (2021), Nada Sabemos Além do que nos Consome (2022), A Pedra que não Dorme se Assenta Sobre o Caos (2023), e À Escuta do Silêncio & Dez Poemas Aglutinados (2024), Antes Durante Depois (2025).

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